A tecnologia para ambulâncias já não se resume ao rádio e ao desfibrilhador. Num white paper dedicado aos serviços de ambulância do Reino Unido, a Zebra Technologies mostra como as etiquetas RFID, os computadores móveis robustos e as ligações 5G ajudam a manter as viaturas operacionais, a controlar equipamento e fármacos e a pôr informação clínica nas mãos das equipas, no local da ocorrência.
Resumimos aqui os desafios e as soluções descritos no documento e explicamos onde a identificação por radiofrequência (RFID) e a mobilidade podem fazer diferença numa operação de emergência pré-hospitalar.
Os desafios de um serviço de ambulâncias sob pressão
O white paper parte da realidade britânica, onde 14 organizações prestam o serviço de ambulâncias em Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. A pressão sobre os hospitais traduz-se em filas de ambulâncias à espera de entregar doentes nas urgências e, por arrasto, em atrasos na resposta às chamadas de emergência.
Segundo a Zebra, os problemas mais comuns são três:
- Manter a frota em serviço durante mais tempo, sem paragens evitáveis.
- Controlar equipamento, ativos e stocks de fármacos e consumíveis.
- Reduzir custos, desperdício e atrasos, garantindo bom uso do dinheiro público.
Embora o estudo se centre no Reino Unido, estes problemas colocam-se a qualquer operação de emergência com frota própria e equipamento médico que circula entre bases, viaturas e hospitais.
Stocks geridos em folha de cálculo
O documento descreve a gestão de stocks ainda feita à mão, muitas vezes numa folha de cálculo. O resultado é pouca visibilidade para as chefias, registos de auditoria difíceis de seguir e viaturas com material a mais de uns artigos e a menos de outros. Somam-se as perdas: equipamento de monitorização esquecido no local da ocorrência ou consumíveis retirados da viatura enquanto a equipa está com o doente.
A preparação da viatura (Make Ready)

As equipas que limpam, reabastecem e verificam cada ambulância antes do turno (no Reino Unido chamadas Make Ready) podem precisar, segundo o white paper, de cerca de 45 minutos por viatura e por dia. O documento cita ainda um pedido de acesso a informação feito pela CCS Europe, segundo o qual 75% dos serviços de ambulância britânicos não tinham um sistema digital para gerir a disponibilidade e a manutenção do equipamento crítico, das viaturas e desta preparação. Cada ambulância tem uma lista obrigatória de 16 artigos para poder sair; dar pela falta de um deles na altura errada afeta diretamente o doente.
Onde a tecnologia para ambulâncias faz diferença

O white paper identifica várias áreas em que a tecnologia apoia as equipas e a gestão:
- Confirmar que a viatura leva tudo o que precisa: consumíveis, fármacos e equipamento médico.
- Localizar viaturas e equipamento a qualquer hora, com recurso a etiquetas RFID.
- Planear turnos e escalas com fluxos digitais em vez de folhas de cálculo, para pôr mais ambulâncias na estrada.
- Levar informação crítica às equipas no terreno, através de smartphones profissionais ou tablets robustos a bordo.
- Reduzir o trabalho administrativo de quem está na linha da frente e de quem o apoia.
Na prática, isto traduz-se em encomendas de stock feitas com base em níveis e prazos de validade acompanhados em tempo real, registos digitais de fármacos para cumprir a regulamentação, listas de verificação digitais na preparação da viatura, alertas de manutenção do equipamento crítico e a possibilidade de saber rapidamente onde há um equipamento de substituição.
O documento dá o exemplo do London Ambulance Service, que pôs ao serviço as primeiras nove de uma nova geração de ambulâncias, com mais 100 encomendadas, desenhadas a partir de sugestões de mais de 400 profissionais de saúde.
RFID em ambulâncias: rastreio de equipamento e fármacos
A RFID identifica objetos por radiofrequência, sem contacto nem linha de vista: uma etiqueta colada ou integrada no artigo responde a um leitor que pode estar num terminal portátil, numa porta ou no teto. Ao contrário do código de barras, permite ler muitos artigos de uma vez, mesmo dentro de mochilas ou armários.
O white paper propõe etiquetar o equipamento e as bolsas de fármacos controlados para seguir a sua localização e utilização. Aponta ainda para armários inteligentes integrados na viatura e, no futuro, para o reconhecimento facial de quem retira essas bolsas.
Leitores RFID fixos na base
Na nossa leitura, a RFID também pode trabalhar na base, nas passagens por onde entra e sai o material. Alguns exemplos de leitores RFID UHF Zebra disponíveis na Copigés:
- Leitor RFID de transição Zebra ST5500: indica o sentido em que cada artigo etiquetado atravessa uma porta, útil para registar o que sai e o que volta ao armazém.
- Leitor RFID aéreo Zebra ATR7000: montado no teto, localiza e acompanha etiquetas numa área ampla, como um parque de viaturas ou um armazém de material.
- Leitor RFID UHF fixo Zebra FX9600 e Zebra FX7500: ligados a antenas externas, servem para montar pontos de leitura à medida, por exemplo numa sala de stock.
Estes leitores não constam do white paper: são uma sugestão nossa. O desempenho da RFID UHF depende do tipo de etiqueta e do ambiente (metal e líquidos afetam a leitura), pelo que cada instalação deve ser validada no local.
Computadores móveis e tablets robustos para as equipas

Para as tripulações, o white paper refere smartphones profissionais como o Zebra TC27, o tablet Android Enterprise ET45 na versão para saúde e o tablet robusto ET65. Ligados à cloud, permitem enviar e receber informação crítica, ler as etiquetas RFID do equipamento e correr aplicações no terreno, como uma lista de verificação para garantir que cada mochila sai completa. Se faltar um artigo, o mesmo dispositivo pode indicar a base mais próxima onde existe um substituto.

O documento destaca ainda o ET85, um tablet dois em um com teclado físico, que permite preencher relatórios entre ocorrências sem voltar à base. Para a viatura, propõe um tablet 5G fixo no tablier, que mostra a informação da ocorrência à equipa antes, durante e depois da intervenção, e aplicações que reduzem a segundos a verificação do estado da ambulância antes do turno.
Os modelos citados são os referidos pela Zebra em 2023; a disponibilidade e as versões atuais devem ser confirmadas com a Copigés antes de qualquer projeto.
Telemedicina: o caso do Tele Doctor

O white paper descreve um modelo de apoio por telemedicina em que a equipa no local se liga em tempo real a um médico de emergência à distância, o chamado Tele Doctor. A comunicação faz-se por áudio e vídeo, com tablets ET85 5G nas ambulâncias, computadores táteis TC58 5G nas equipas e câmaras corporais ligadas ao médico.
Segundo o documento, este modelo responde ao aumento das chamadas, à falta de pessoal especializado e ao tempo de deslocação, sobretudo em zonas rurais. O Tele Doctor assume as tarefas menos complexas e liberta os médicos no terreno para os casos mais exigentes.

O mesmo princípio sustenta as enfermarias virtuais (hospitalização domiciliária), em que o doente recebe cuidados de nível hospitalar em casa, acompanhado por videochamada, aplicações e dispositivos de monitorização.
Cinco prioridades para a transformação digital
O documento termina com cinco áreas de foco para os serviços de ambulância:
- Criar «campeões digitais» e definir quem responde pela mudança.
- Ligar os sistemas digitais das ambulâncias aos das urgências hospitalares, com foco no resultado para o doente.
- Trabalhar com um parceiro tecnológico que garanta retorno do investimento.
- Aprender com outras instituições de saúde, com a polícia e os bombeiros, e com boas práticas internacionais.
- Envolver profissionais e público na mudança.
Perguntas frequentes
Para que serve a RFID numa ambulância?
Para saber, sem contagens manuais, que equipamento e que fármacos estão na viatura e onde estão. As etiquetas RFID leem-se por radiofrequência, várias de uma vez, com um terminal portátil ou um leitor fixo.
A RFID substitui a verificação da viatura antes do turno?
Não substitui a responsabilidade da equipa, mas acelera-a: a leitura RFID e uma lista de verificação digital indicam o que falta, em vez de obrigar a contar artigo a artigo.
Que dispositivos usam as equipas no terreno?
O white paper refere smartphones profissionais e tablets robustos Zebra, alguns com 5G e versão para saúde, para comunicar, consultar informação clínica, ler etiquetas RFID e preencher relatórios.
Estas soluções aplicam-se em Portugal?
O estudo foi feito para o Reino Unido, mas a tecnologia é a mesma. Cada projeto deve ser dimensionado para a operação, os sistemas e as regras de cada entidade.
Saiba mais
Fonte: Zebra Technologies, «Emergency Callout: New Technology to Enable Safer and More Efficient Patient Responses», white paper, outubro de 2023. Mais informação na página de segurança pública da Zebra.
Para estudar a aplicação de RFID e de dispositivos móveis no seu serviço de emergência, contacte a Copigés.